Depois de ver a manchete de hoje, ilustrada por fotografias, uma do Lula descansando numa praia, outra de um passageiro dormindo no aeroporto; depois de ver uma fotografia do Lula vestindo um chapeu de vaqueiro nordestino e a legenda da fotografia dizendo que Lula estava usando chapéu de cangaceiro e, em mais de um mês, nem sequer uma singela nota de "Erramos" e todo o jogo de manchetes do período eleitoral em que manchetes negativas nem sempre coincidiam com o teor da matéria; depois de ler diversas matérias em que repórteres e articulistas adaptavam seus artigos ao gosto de seus chefes e dos donos dos jornais, a servidão voluntária não poupa jornalistas só por serem jornalistas, também eles têm suas chefias e seus patrões para agradar ou servir, depois de ver que pessoas independentes acabam por sair ou ser mandadas embora do jornal, assim como foi com o Villas-Boas Correa, a Marilene Felinto, outros positivos e críticos sem parcialidade como o Nassif, temo que o jornal que comecei a ler quando da reforma feita pelo Claudio Abramo, que transformou um jornaleco de nada em uma potência dentro da imprensa brasileira, um orgão vivo onde a polêmica era tanto interna como externa, com "paus" homéricos entre os seus próprios jornalistas, o que de fato oxigenava tanto a Folha como os demais orgãos, que têm ainda os mesmos donos de quando era ruim, como quando foi bom e agora quando esta voltando a ser ruim, o que prova que os donos não são, nem foram responsáveis pelo período bom, a não ser por permitirem que o período bom ocorresse, mas com a mudança de direção do sr. Luis para o sr. Otávio a interferência tem aumentado, ainda mais quando este último escreve artigo elogioso ao Carlos Lacerda, figura nefasta do jornalismo brasileiro, elogiada pelos oportunistas de plantão, e que faz com que seus comandados, no intuito de agradá-lo, tentem transformar-se cada um num "lacerdinha da casa", temo, dizia eu que a Folha que leio e assino, como nome da minha esposa, a tantos e tantos anos esteja a caminho da vejificação. Desculpe-me o desabafo, sei que o ombudsman nada têm a ver com isso, mas têm sido um exercício terrível ler a nossa imprensa hoje em dia, talvez por isso a Folha que já ultrapassou o 1 milhão de exemplares, faz das tripas coração para editar pouco mais de 400 mil, minha própria esposa não a lê mais e pede-me para recortar algum artigo bom para que ela leia, passo dias sem recortar um único artigo, e a cada seis meses briga comigo pois não quer renovar a assinatura, que não quer mais a assinatura no seu nome, logo ela que já ganhou prêmio da Folha por ser das mais antigas assinantes. A imprensa brasileira anda tão ruim que deveria vender na banca picado, como estes vendedores de cigarros da rua que vendem um a um, pegaríamos a política deste, a cultura do outro, noticias de cidade de um terceiro, economia do outro, quem sabe assim poderíamos ter um jornal razoável.
Sergio Alexandre Antunes de Carvalho
P.S. A coluna sobre os positivos e negativos das candidaturas não convenceu-me de modo algum, acho que a matéria é muito subjetiva para se fazer estatisticas, há artigos que têm tanto critica como matéria neutra, há manchetes negativas como conteúdos neutros, há manchetes neutras como conteúdo negativo. Há ainda um pernicioso jogo jornalístico que acho terrível, ampliar e ecoar frases ou comentários de alguém para transformar em notícia e sensacionalismo, coisas que nada são, como exemplo temos hoje a fala de brincadeira de Lembo dizendo que local de velhinho é no cemitério, uma gag, um wit que não deveria causar nada, vai um bobo repórter entrevistar dois idosos para causar polêmica. Muitas das brigas políticas que se vêm nos jornais são criadas deste modo, alguém fala uma coisa sem importância para um público mínimo, o jornalista vai correndo levar para que o outro lado comente e assim criar confusão. Jornalistas são muito bons para levantar o caráter corporativo dos outros, para eles mesmos, críticas, só nas mesas dos botecos onde se reunem, aí sim descem o "pau" em seus pares sem piedade, mas nas páginas dos jornais, silencio absoluto. Assistimos o processo de canonização dos donos da imprensa, primeiro foi o sr. Julinho Mesquita, depois foi o "jornalista" Roberto Marinho, agora temos o sr. Luis Frias, todos santos.
(Texto de Sergio Alexandre Antunes de Carvalho)
Terça-feira, Novembro 14, 2006
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